Segunda-feira, 13 de Março de 2006
Recomeço
Dá-me tua mão
e ajuda-me a caminhar
estou cansado
pelos dias que estive longe
me feri, sangrei, morri
mas voltei

O Poeta Morto está de volta... Morto, é claro!!!

Volto Breve

LM


publicado por Poeta Morto às 20:40
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Sexta-feira, 26 de Agosto de 2005
Poesia Morta I (versão 2)
Seja sobre nós posto um manto de cores
E rompa-se o luto que jaz sobre o campo
Assim ordena o rei, assentado no trono
Comandando a terra dizimada pela peste
Pela fome, pelo frio pela guerra e pela dor
O cereal plantado não vingou este ano
Então, não haverá colheita de trigo e arroz
O gado morreu de fome e levou a carne
O gado levou embora o leite e o couro
E a Terra está a chorar a sua própria morte

No Reconditório, onde o homem se protege
Vive aquele que fora apartado das gentes
Um infeliz, um incircunciso, um contraventor
Semeador de desordem, artista revolucionário
Mas a majestade deste homem ouviu falar
E pensou que tal homem ao povo circo daria
Mas porventura não sabia o rei que o poeta
Jamais enganaria o povo dando a este circo
Pois o poeta, mesmo com seu corpo definhando,
Ainda guardava em si mesmo a grande utopia

E então, irrompeu a ira da suprema majestade
Contra o poeta que não queria se vender a ele
E sobre ele violentamente despejou sua ira
Preso e severamente torturado foi o artista
Até finalmente negar pela última vez o pedido.
Sua majestade ardendo em revolta, ordenou
A morte do artista, com a última bala das armas
E assim se fez, em mais uma lúgubre manhã
Levou-se até o pátio o poeta, vendado e em jejum
E colocaram-no de costas para uma parede

Então o carrasco, sarcástico, a ele perguntou:
Tens, poeta, algo a dizer antes de teu infausto?
E o poeta disse as suas últimas palavras de utopia:
“Não fui comprado, segui em frente, vivi o sonho
O sonho me alimentou, o sonho me deu força
E se me perguntares, onde está o sonho, dir-te-ei
Ei-lo, o sonho está em tua frente, defronte a ti
Esperando para ser sonhado, como o fruto da terra
Que aguarda para ser colhido, e a semente plantada
Que ansiou por ser plantada sob a terra e vingar

Se me perguntares se vale a pena morrer por isto
Dir-te-ei que sim, tolo soldado, vale a pena sonhar
Mesmo que teu sonho seja a razão da tua morte
Não me vendi em toda a minha vida, segui aqui
Em frente, lutando por um simples sonho
Lutando pela resposta que sempre procurei
Minha morte é poética; porque é eloqüente
Mais eloqüente do que qualquer poesia que escrevi
E esta foi a minha utopia, viver livre, enfim
Por ela vivi, por ela morro, sem ter me vendido”

E calou-se o poeta com após ouvir-se no quartel um disparo de fuzil

Leonardo Machado
22/08/2005
23:11


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A idéia é velha.... reciclei pq não tava bonitinho... não que esteja agora... mas é isso aí
Esse texto (o original) deu o nome do blog...



publicado por Poeta Morto às 19:16
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Segunda-feira, 8 de Agosto de 2005
A Poetisa
Com suas delicadas mãos a poetisa põe os óculos
Pega o papel, cerra o punho em torno da mão, e põe se a escrever
Falar dos sentimentos, talvez, ou da realidade
Fugir do mundo, refugiar-se na ilha das palavras

Refugiada, a poetisa escreve
E sobre o papel derrama lágrimas
Lágrimas de amor, lágrimas de medo
Lagrimas de dor, ou conta um segredo

Quão escondidos no papel estão
Debruçada na bancada a poetisa escreve
Não finge, sente, e escreve
Mas o que sente está escondido no papel

Ao fim da poesia assina
Larga a caneta e retira os óculos
E sai por aí
Procurando uma nova inspiração

Leonardo Machado
02/08/2004


publicado por Poeta Morto às 16:22
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Sábado, 16 de Julho de 2005
Crianças
As crianças um dia vão crescer,
e serão bem maiores que nós;
assim como fomos maiores
que os nossos pais.

As crianças que agora dormem,
de manhã vão acordar e sorrir;
quando no futuro crescerem
talvez não sorriam mais

E todos fomos crianças;
crianças que choravam;
crianças que queriam colo;
crianças que amavam;
crianças que queriam amor.

Abandonaram algumas crianças;
e esqueceram do seu futuro;
não saberão, na vida de nada;
pobres crianças, perdidas no mundo.

Elas podem ser mais;
eu podia ser mais;
quem não queria ser mais;
não ser mais um fraco.

Crianças grandes querem colo;
esqueceram de crescer;
pois ninguém as deu carinho;
e não querem viver.

Crianças foram crescendo;
crianças foram aprendendo;
aprendendo o amor,
ou talvez aprendendo;
aprendendo a odiar;
o ódio as fez deixarem de ser crianças;
e eu tão criança.

Agora, tu dormes meu filho;
meu filho, criança como fui;
eu te darei o meu carinho;
quando acordar de manhã.

Agora eu te faço dormir criança;
amanhã tu crescerás, pequeno;
serás melhor que eu, menino;
e cuidarás de teu pai, criança.

Eu te dou o meu amor, meu filho;
eu serei sempre teu amigo aqui;
eu te ensinarei o que eu aprendi;
é tão pouco, saberás bem mais.

Todos nós fomos crianças;
alguns de nós crescemos,
e no futuro nosso fim será igual;
quem é que fugirá da morte,
e do cansaço dessa vida?

Faça o teu melhor, criança;
por que não se sabe teu fim;
nem quando partirás, meu filho;
e no futuro o que será de mim?

Cuida de mim quando velho;
paga-me o amor que eu te dei;
com o teu amor, olha em meus olhos;
já não seremos mais crianças;
mas serás sempre minha criança.

E se o destino te quiser levar;
antes de mim, de ti me lembrarei
dos teus olhinhos fitando os meus;
levar-te-ei ao eterno no peito;
pequena criança, filho meu.

23:50 10/10/04

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Feita em menos de quinze minutos com base numa música de três acordes que eu bolei na hora.

Em breve: material novo


publicado por Poeta Morto às 23:38
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Sábado, 25 de Junho de 2005
Os Olhos da Alma do Oceano
Perdido em frente ao farol dos anjos
Olhando de frente a finda imensidão
Dando uma resposta para a pergunta
A pergunta que eu não posso responder

Eu olho a alma do imenso mar azul
Eu olho dentro dos olhos e vejo a vida
A alma do imenso oceano sorri para mim
Com doces olhos, me chamando ao mar

Eu, perdido no meio do imenso oceano,
Vejo os olhos da alma do oceano brilharem
E brilham com o mesmo brilho das estrelas
As estrelas me chamam, mas eu vou pelo mar

Eu vou pelo mar, o mar que me chama
Eu vou até os olhos da alma do oceano
Os olhos que trazem a paz ao meu barco
A paz que guia minha vela pelo mundo

Eu vou pelo eterno, salgado, imenso oceano
Que me atrai por sua doce, e cristalina alma
Eu vou pelo mar, até o fundo do mar, eu verei
A alma oceano, e a resposta a pergunta que me dói

Então, eu vou, eu vou até o mar encontrar
Uma razão maior que todo o universo
Eu vou, eu vou achar, na alma do oceano,
Que com seus doces olhos me atrai, resposta

Leonardo J. da S. Machado – 02.09/2004 – 17:07

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O Blog está passando por uma pequena reforma para ficar mais bonitinho.... e eu espero que vocês gostem... esse é um dos textos mais legais q eu já escrevi. Quem sabe sabe... Quem não sabe... jamais saberá de como foi escrito.

agradecimento especial a uma moça muiiiiiiiiito legal chamada Erica Milhomem(Procurem esse nome por aqui) pela colaboração com o desenho... Feliz agradece


publicado por Poeta Morto às 17:34
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Domingo, 5 de Junho de 2005
Para o adeus
Adeus ao amor de meus bons dias
Adeus, disse eu a meu único sonho
Adeus à paixão de minha juventude
À minha boa razão de viver, adeus
Adeus ao meu porto mais seguro
Ao primeiro de meus amores, adeus

Adeus a minha infeliz mocidade
Cujas memórias me perseguirão
Adeus às felicidades que passaram
Pois agora, poucas alegrias existirão
E se outrora sonhei, sei hoje então
Que grande quimera fora meu sonho

Adeus ao meu passado eu darei
E lançando-me ao desconhecido
Talvez, encontre eu terra nova
Novo sonho, nova utopia, nova razão
Razão de vida que dia então perder-se-á
E direi de outra forma adeus então

E hoje, num gesto infeliz eu digo
Adeus ao amor de meus bons dias
Adeus à paixão de minha juventude
Adeus ao crepúsculo do meu sonho
Adeus àquela que primeiro me fez sonhar
Adeus à meu antigo modo de viver

Leonardo Machado
05/06/2004
01:02


publicado por Poeta Morto às 22:57
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Domingo, 29 de Maio de 2005
Do tempo
Quem conta o tempo?
quem possui o tempo?
poderoso entre os homens,
cruel, implacável tempo.

Inexplicavelmente rápido;
Inexorável; criação desumana;
Necessário; passageiro;
tempo, que tudo comanda.

Dado pelos deuses;
necessário aos homens;
virou Senhor da vida;
Senhor da morte;
Senhor de si mesmo;
Senhor de tudo.

Quem vai fazer o tempo parar?
Quem vai fazer nada mudar?
O Sol e a Lua correm, e assim,
com eles sempre o tempo irá.

E nós, escravos do tempo,
correndo contra ele,
tentando fazê-lo parar.

E quem, não quer mudar
sua própria sorte, e fazer
tudo ser melhor para si.

Precisei de tempo para nascer;
preciso de tempo para viver;
em algum tempo irei morrer;
essa é a minha sorte, e a de todos.

E cada um, em seu tempo,
no mesmo tempo, fará seu tempo;
caminhará contra os ventos de seu destino,
mas em algum tempo irá se apagar.

As marcas do tempo vão nos fazer
percebermos que o tempo passou.
O que fizemos no tempo que passou?
Ganhamos marcas de nosso Senhor.

Eu tive o tempo em minhas mãos;
eu tive a chance de mudar tudo,
mas o tempo correu demais,
e tudo de mim ele levou, o tempo

O Tempo nos Matou!
O Tempo que nos fez Nascer!
E depois de muito tempo,
eu vi que o tempo não mudou,
fomos nós que mudamos.

Leonardo Machado – 26/11/2004 – 00:03


publicado por Poeta Morto às 22:06
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Sexta-feira, 13 de Maio de 2005
O Gondoleiro do Amor ( Castro Alves)
Hoje resolvi atualizar o blog com este texto, apesar de não ser meu, coisa que raramente faço.
Este poema de Castro Alves é bastante conhecido, e é um dos meus preferidos... espero que gostem!

O gondoleiro do amor
Barcarola
Dama negra

Teus olhos são negros, negros,
Como as noites sem luar...
São ardentes, são profundos,
Como o negrume do mar;

Sobre o barco dos amores,
Da vida boiando à flor,
Douram teus olhos a fronte
Do Gondoleiro do amor.

Tua voz é a cavatina
Dos palácios de Sorrento,
Quando a praia beija a vaga,
Quando a vaga beija o vento;

E como em noites de Itália,
Ama um canto o pecador,
Bebe a harmonia em teus cantos
O Gondoleiro do amor.

Teu sorriso é uma aurora,
Que o horizonte enrubesceu,
- Rosa aberta com biquinho
Das aves rubras do céu.

Nas tempestades da vida
Das rajadas no furor,
Foi-se a noite, tem auroras
O Gondoleiro do amor.

Teu seio é vaga dourada
Ao tíbio clarão da lua,
Que, ao murmúrio das volúpias,
Arqueja, palpita nua;

Como é doce, em pensamento,
Do teu colo no langor
Vogar, naufragar, perder-se
O Gondoleiro do amor!? ...

Teu amor na treva é - um astro,
No silêncio uma canção,
É brisa - nas calmarias,
É abrigo - no tufão;

Por isso eu te amo, querida,
Quer no prazer, quer na dor,...
Rosa! Canto! Sombra! Estrela!
Do Gondoleiro do amor.


publicado por Poeta Morto às 17:40
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Domingo, 24 de Abril de 2005
A Grande Viagem
Em Breve partirei para a viagem de minha vida,
Lançar-me-ei ao mar, depois de tanto planejar,
Planejar, pensar, é necessário para navegar,
Quem não pensa não vive, e não pode navegar
Não tem nem o controle sobre sua própria vida
Pensar é a chave da existência humana na terra
Não apenas nos faz viver, mas nos torna livres
Livres para navegar pelo mar que se impõe
Eis a nossa frente o grande mar da existência
E aquele que por si só não pensar, estará perdido.

Pensar, Pensar, Planejar, Planejar para viver
Ao menos tentar desenhar a nossa carta
E enfrentar o nosso grande e final oponente
O mar da vida, que a todos nós assombra
E não só a nos, como a muitos antes de nós
E aos nossos filhos, netos e bisnetos assombrará
Mas para viver é preciso saber conduzir o barco,
Conhecer cada milímetro do barco que se guia
E saber manobrar as velas do barco de nossa vida
E ter coragem para mudar a direção da embarcação.

Pensar, Planejar, antes mesmo de começar a navegar
Para que ao menos se saiba onde se quer chegar
Pois os ventos que mudarão nossas vidas são desconhecidos
Mas é preciso saber para onde virar o leme e as velas
E há de se fugir das calmarias, que interrompem a viagem
E só trazem atrasos infrutíferos a nossa grande viagem
Porém é preciso buscar um porto seguro algumas vezes
Verificar as avarias, sair do barco e descansar um pouco
Apenas um pouco, mas sabendo que é preciso voltar
Voltar e novamente se lançar ao mar de nossa vida.

Pensar, planejar, e contar com um pouco de sorte também,
Pois grandes tempestades podem surgir por nosso caminho,
E morrer em uma destas tempestades não será heróico
E ninguém aplaudirá se nossas velas se rasgarem pelo caminho
Pois louvável será apenas se realizarmos nossa missão
E mesmo que as velas de nossa embarcação fiquem velhas
E se porventura apodrecerem pelo meio deste caminho
E se perdermos nossas bússolas, quadrantes e sextantes
Importa que sempre levemos conosco nossa memória
Pois esta será o registro de nossos pensamentos, nossa identidade.

Leonardo Machado
24/04/2005 01:04


publicado por Poeta Morto às 01:37
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Quinta-feira, 21 de Abril de 2005
Acordar de Novo
Depois de muito tempo deitado
já é tempo de acordar de novo
e tirar a poeira que se acumulou
durante os anos de sono e solidão
durante o tempo em que o problema
não teve nenhuma provável solução.

Depois de tanto tempo dormindo
é tempo de abrir os olhos, e ver
se acostumar novamente com a luz
firmar os pés no chão, e voltar a viver
esquecer um pouco do nosso sonho
e voltar a esta infeliz realidade.

Depois de tanto tempo sonhando
é preciso que o sonho tenha semeado
em nosso coração alguma semente
sementes de uma revolução
sementes que possam brotar nos corações
sementes que tornem-se árvores
frondosas, e que produzam frutos de paz.

Depois de muito tempo sobre a cama
é hora de sair do próprio quarto
como se estivesse recomeçando a viver
e andar com os seus próprios pés de novo
e viver uma vida diferente a cada dia
e quem sabe um dia, voltar e descansar.

Leonardo Machado
21/04/2005 19:24
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Feito na hora, como um sinal de vida
nem está muito bom, mas a necessidade de postar é mais forte


publicado por Poeta Morto às 19:36
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